segunda-feira, 4 de julho de 2016

UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES


CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO



CESAR GUILHERME JACOBINA ESTEVES









PROPOSTA DE GERENCIAMENTO DE UMA CENTRAL DE RECICLAGEM     DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL EM CAMPO GRANDE – MS












CAMPO GRANDE –MS
       AGOSTO /2013


CESAR GUILHERME JACOBINA ESTEVES









PROPOSTA DE GERENCIAMENTO DE UMA CENTRAL DE RECICLAGEM     DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL EM CAMPO GRANDE – MS





Monografia apresentada à Universidade       Cândido Mendes como exigência para a obtenção do título de Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho
Orientador : Dr. Paulo Celso dos Reis Gomes
















CAMPO GRANDE –MS
       AGOSTO /2013



PROPOSTA DE GERENCIAMENTO DE UMA CENTRAL DE RECICLAGEM     DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL EM CAMPO GRANDE – MS





Monografia apresentada à Universidade       Cândido Mendes como exigência para a obtenção do título de Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho
Orientador : Dr. Paulo Celso dos Reis Gomes



            Aprovado pelos membros da banca examinadora em _____/______/2013


           Banca Examinadora

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CAMPO GRANDE –MS
     AGOSTO /2013





 



































































































































PROPOSTA DE GERENCIAMENTO DE UMA CENTRAL DE RECICLAGEM DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL EM CAMPO GRANDE - MS


César Esteves
Paulo Celso dos Reis Gomes

RESUMO

No atual contexto em que vive a sociedade, cada vez mais deve tornar-se comum a prática de discutir soluções para o tratamento dos resíduos gerados pelo homem, uma vez que a não discussão  dessas  ideias em um ambiente de gestão participativo e integrado , dificultam  uma efetiva sistematização no âmbito geral , em face da dependência criada pela vida nos grandes centros. É mister afirmar que o termo "risco " designa qualquer empecilho à realização de um objetivo,sendo assim, a intenção é fazer uma proposta preventiva através de uma Análise Preliminar de Riscos (APR) para uma usina de reciclagem de uma capital de porte médio. A APR é uma metodologia indicada em estágios iniciais de projeto , no caso , um projeto de gerenciamento e reciclagem em resíduos sólidos da construção civil.. Este trabalho tem por objetivo a apresentação de um estudo que visa fornecer subsídios para o desenvolvimento de um projeto de gestão de riscos   de uma central de reciclagem de resíduos da construção civil, vinculada a pontos de entrega voluntária localizados nas regiões urbanas da cidade de Campo Grande, MS, com foco na Engenharia  de Segurança do Trabalho.


Palavras-chave: Engenharia de Segurança do Trabalho. Resíduos Sólidos. Reciclagem. Gestão de riscos . Construção Civil.

ABSTRACT

In the current context in which society lives, increasingly should become common practice to discuss solutions for the treatment of wastes generated by man, since no discussion of these ideas in an environment of participatory and integrated management hinder a effective systematization under general, given the dependence created by life in big cities. It mister assert that the term "risk" means any hindrance to the achievement of a goal, so the intention is to take a preventive approach through a Preliminary Risk Analysis (PRA) for a recycling plant capital of a midsize. The APR is a methodology specified in the initial stages of the project, in this case, a project management and recycling of solid waste in construction . This paper aims to present a study that aims to provide support for the development of a project risk management a central recycling of construction waste, linked to delivery points voluntary located in urban areas of the city of Campo Grande, MS, focusing on Engineering Safety.


Keywords: Engineering Safety. Solid Waste. Recycling. Risk management. Construction.



INTRODUÇÃO

A construção civil brasileira teve um considerável aumento em produtividade nos últimos anos, acentuada pelo crescimento da economia e melhora das condições de vida e estabilidade socioeconômica da população. Este crescimento, embora traga muitos benefícios para as cidades e seus moradores em termos de conforto e praticidade, também trazem prejuízos diversos ao meio, decorrentes da falta de planejamento, uso indiscriminado dos recursos naturais e falta de tratamento correto para os resíduos produzidos. No que se refere à construção civil especificamente, a destinação dos resíduos das obras como concreto, tijolos, telhas, aparas cerâmicas e demais materiais provenientes de sobras ou demolições, têm contribuído em muito para aumentar os problemas relacionados à poluição de forma geral, visto que por falta de local apropriado para recebê-los, muitas vezes são despejados em córregos, rios ou lixões.
Na busca por soluções para os problemas de poluição, diretrizes internacionais voltadas para a questão do lixo têm orientado as pessoas para a minimização da geração de resíduos, procedimento conhecido como a Prática dos 3R – Redução/ Reutilização/ Reciclagem – um conjunto de ações sugeridas durante a Conferência da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992, seguindo o princípio de que causa menor impacto evitar a geração do lixo do que reciclar os materiais após o seu descarte. Quando a redução ou a reutilização não se faz possível em um primeiro momento, a opção por programas de coleta seletiva e reciclagem apresenta-se como boa alternativa, diminuindo os materiais aterrados ou jogados a céu aberto, evitando a poluição do ar, da terra, da água, entre outros benefícios. “Vivemos a emergência de novos modos de vida”. (MORENO, 2001).
O presente trabalho tem como principal objetivo desenvolver uma proposta para o gerenciamento em Engenharia de  Segurança do Trabalho , de uma central dos resíduos sólidos provenientes da construção civil em Campo Grande, MS, através  da metodologia de Análise Preliminar de Riscos ( APR )  ,  abordando  qualitativamente um setor onde os perigos na sua operação é carente ou deficiente (HELMAN,1995). Poderíamos afirmar que a APR é uma metodologia relativamente sem custos e de grande utilidade, porém, necessita de constantes revisões complementares. Como os centros de reciclagem de resíduos sólidos em Construção Civil são relativamente recentes, cabe ao Engenheiro de Segurança do Trabalho se aproximar ainda mais desse nicho de atividade profissional.

GERAÇÃO DE RESÍDUOS

De acordo com Silveira (2002), precisamos primeiramente saber diferenciar lixo de resíduo: O lixo seria um material inservível que necessitaria ser disposto de uma maneira atóxica e não poluente; já o resíduo é algo que fez parte do sistema produtivo e possui ainda uma utilização potencial (possibilidade de gerar fertilizantes, gás, energia elétrica, etc.).
Segundo Lima e Chenna (2000), é parte de o processo vital produzir e eliminar resíduos. A origem da produção de resíduos não é fruto apenas das sociedades modernas, está ligada ao surgimento do homem na terra e é resultado do seu contato com o meio. Ao longo da história da humanidade, conforme se dá o desenvolvimento social, também ocorrem modificações na produção destes resíduos, tanto em suas características como em quantidades, sendo o marco principal destas transformações o advento da Revolução Industrial, ainda no século XVIII.
Moreno (2001) explica que as primeiras cidades da história surgiram ainda no período A.C e localizavam-se sempre próximas a rios ou córregos, devido às suas atividades agrícolas. Nestes locais, a geração de resíduos não era vista como um fim, mas como um recomeço, onde as sobras serviam de alimento para os animais ou viravam adubo para a terra.
Ainda segundo o autor, quando falamos da cidade pós Revolução Industrial, no entanto, as diferenças são muitas e nos mais diversos aspectos. Enquanto as primeiras cidades eram fadadas a crescer às margens de rios ou córregos, devido às atividades agrícolas, a industrialização permitiu ao homem habitar os mais diversos lugares do planeta, até mesmo construir cidades em meio ao nada, grandes obras da engenharia. O estímulo constante ao consumo, o uso de embalagens descartáveis e a busca por praticidade na vida urbana moderna fez com que a geração de resíduos ganhasse proporções nunca antes imaginadas, sendo que a grande maioria destes são materiais de difícil decomposição, alguns inclusive com durabilidade indefinida, como embalagens plásticas, pneus, vidros e metais.
Os resíduos sólidos podem ser definidos da seguinte forma:

Resíduos sólidos ou semissólidos que resultam das atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica, comercial, agrícola, hospitalar, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nessa definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exigem para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível (NBR 10004/1987).

Durante muito tempo, o ser humano apenas pensou em extrair do meio os recursos disponíveis e produzir desenfreadamente em todas as áreas da indústria, sem levar em conta quais seriam as consequências disso. O crescimento desenfreado, a falta de planejamento, o uso indiscriminado dos recursos naturais e a não reposição destes, coloca em xeque a definição de urbanidade, que provém do latim urbs e significa cidade, civilidade, cortesia. Denota à educação, à cultura, aos bons costumes. Reforça o menosprezo pelo campo, sede do bárbaro, do rústico. (LE GOFF, apud MORENO, 2001). Hoje as cidades são vistas como agentes poluidores, consumistas e geradores de resíduos. É na cidade que estamos colhendo os frutos, bons e ruins, das rápidas transformações pelas quais a civilização passou nas últimas décadas. “Estamos passando, de forma cada vez mais acelerada, de uma época de recursos abundantes para outra de recursos cada vez mais limitados”. (JOHN, 2000 apud SILVEIRA, 2002).
Nas grandes cidades, estes problemas ganham dimensões muito maiores, pois diariamente recebem novos habitantes em busca de melhores condições de moradia, emprego e educação, ocasionando no surgimento de diversos problemas que estão diretamente ligados à geração de resíduos e à disposição inapropriada dos mesmos no meio. São nestas situações que surgem as moradias irregulares em locais sem a mínima infraestrutura, ocasionando em derrubadas e desmatamentos de áreas de valor ecológico e logo a destinação de resíduos em córregos ou terrenos baldios. Seja por falta de políticas educativas ou mesmo por maus hábitos de higiene, estima-se que 65% dos materiais destinados aos aterros são Recicláveis, 25% Orgânicos e apenas 10% Rejeitos (LIMA e CHENNA, 2000).
Desta forma, por possuírem características diferenciadas, os resíduos urbanos devem receber tratamentos específicos, como é o caso dos resíduos da construção civil.

O PROBLEMA DO ENTULHO
                                                                                                                                             Dentre os resíduos sólidos urbanos, um dos que causam grande impacto ambiental são os entulhos da construção civil, denominados RCD (Resíduos de Construção e Demolição). O CONAMA – Conselho Nacional de Meio Ambiente, dá as seguintes definições:

Art. 2º. Para efeito desta resolução, são adotadas as seguintes definições: I – Resíduos da construção civil: são os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica, etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha;

Nos últimos anos, a construção civil brasileira teve um considerável aumento em produtividade, influenciado positivamente por um conjunto de fatores diretamente relacionados à dinâmica do setor, tais como: crescimento da renda familiar e do emprego, aumento do crédito ao consumidor, maior oferta de crédito imobiliário e manutenção da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, de diversos insumos da construção. Dados da Caixa Econômica Federal mostram que no ano de 2009 foi financiado um total de 408.767 unidades habitacionais; só nos três primeiros meses de 2010 foram 118.000 financiamentos, com tendência de crescimento nos últimos meses do ano.
Segundo Pinto, 1999 (apud MAYER, 2006), a construção civil é responsável pelo consumo de 20% a 50% dos recursos naturais extraídos. O consumo de agregados varia entre 1 e 8 t/hab. ano, sendo que quanto mais escassas ficam as reservas naturais, maior o custo final do transporte. No caso da madeira, a construção civil consome cerca de 2/3 de tudo o que é extraído das florestas.
A geração de RCD, por sua vez, é estimada em 160 mil t/dia, tornando a construção civil a maior geradora de resíduos das cidades brasileiras, com quantidades de até 2 vezes o volume do lixo sólido urbano. A falta de uma política de economia no processo construtivo, ou mesmo a adoção de técnicas e materiais mais modernos nos canteiros de obras, leva a aumentar a quantidade de materiais desperdiçados e consequentemente à geração de entulho. O dado mais preocupante, no entanto, é o de que apenas metade desta quantidade produzida é coletada corretamente, sendo todo o restante despejado em locais inadequados.
O entulho é um resíduo de grande massa e volume, ocupando, portanto, muito espaço nos aterros ou locais de descarte clandestinos. Seu transporte, em função não só do volume, mas do peso, torna-se oneroso (ATHAÍDE e FERRARI  et al, 2000). O entulho se transformou em um grave problema urbano e de difícil gerenciamento.
Para SILVEIRA (2002), a cidade é um sistema composto de elementos naturais, produtos processados e energia, que se traduz na produção de bens, serviços e resíduos sólidos, líquidos e gasosos. Neste processo há a quebra do ciclo natural: consomem-se produtos naturais e liberam-se materiais incompatíveis com essa dinâmica. Para melhor compreendermos o papel de cada um na produção de resíduos, devemos pensar na cidade como um ecossistema no qual todos os elementos e processos estão inter-relacionados e são interdependentes, de modo que se alterando um, resulta-se em alterações a todos os demais (MOTA, 1981). Por este motivo, o destino irregular dos resíduos provoca diversos riscos, como abaixo mencionados:
Alterações no Ciclo Hidrológico, como diminuição da evapotranspiração pela diminuição da vegetação e aumento do risco de erosão;
Diminuição da infiltração da água pela impermeabilização do solo;
Aumento da ocorrência de enchentes pela obstrução dos sistemas de drenagem e escoamento das águas pluviais através das galerias e canais;
Contaminação das águas superficiais e subterrâneas por substâncias químicas;
Poluição de áreas de importância ecológica, valor histórico e paisagístico;
Resulta em queimadas (poluição do ar), poluição visual e estética desagradável;
Maus odores, proliferação de insetos e roedores;
Desvalorização de áreas.
Como podemos ver, a questão do entulho gerado pela construção civil nas cidades precisa ser tratada com atenção. A simples destinação dos RCD para aterros não pode mais ser vista como uma solução. Para Lima e Chenna (2000), os “lixões” nada mais são do que o símbolo do despreparo dos nossos administradores públicos. Não se deve pensar apenas em dar um destino aos resíduos, mas buscar um tratamento e reaproveitamento dos mesmos, melhorando o sistema como um todo e proporcionando empregos, gerando economia e recursos.
A principal ação efetivada, recentemente, em termos legais no âmbito federal é a Resolução 307 do CONAMA, de julho de 2002, que estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil, os entulhos. Dentre as várias diretrizes estabelecidas, destacam-se as seguintes:

(1) os geradores deverão ter como objetivo prioritário, a não geração de resíduos e, secundariamente, a redução, a reutilização, a reciclagem e a destinação final; (2) a partir de julho de 2004, os resíduos da construção civil não poderão ser dispostos em aterros de resíduos domiciliares, em áreas de “bota fora”, em encostas, corpos d’água, lotes vagos e áreas protegidas por lei; (3) deverá constar no Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, com obrigatoriedade de elaboração pelos municípios e Distrito Federal até janeiro de 2004, o incentivo à reinserção dos resíduos reutilizáveis ou reciclados no ciclo produtivo.

Ainda segundo a Resolução 307 do CONAMA, os Resíduos da Construção civil são classificados da seguinte forma:
Classe A - são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como:
a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem;
b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.), argamassa e concreto;
c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meios-fios etc. produzidas nos canteiros de obras);
Classe B - são os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como: plásticos, papel/papelão, metais, vidros, madeiras e outros;
Classe C - são os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem/recuperação, tais como os produtos oriundos do gesso;
Classe D - são os resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como: tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles contaminados oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros.

3. COLETA E RECICLAGEM DO ENTULHO.

Define-se como Reciclagem a “Recuperação de materiais a partir da recuperação de suas características físicas, fazendo-os retornar ao seu estado quase original, como fonte de matéria prima para consumo”. (CHENNA e LIMA, 2000). Uma Central de Reciclagem (ou recicladora ou área de reciclagem, como definida na NBR 15 114/2004) é o espaço físico constituído de equipamentos que irão beneficiar o RCD classe A.
O manejo dos Resíduos Sólidos no meio urbano vai além da simples execução dos serviços, envolve aspectos técnicos e administrativos. Em geral, os serviços de coleta são terceirizados, feitos por empresas que trabalham especificamente no ramo de aluguel de caçambas, que ficam nas obras e são recolhidas quando sua capacidade total é esgotada. Deste ponto em diante, o trabalho é feito pelo motorista, que leva a carga até algum ponto de despejo (legal ou ilegal). Percebe-se, muitas vezes , falta ou ineficiência  de gerenciamento de riscos , devido ao fato que , no início do projeto inexiste a APR.
A coleta de entulho é classificada como uma “coleta especial” pela NBR 12980, que cita: “(...) A coleta especial contempla os resíduos não recolhidos pela coleta regular, tais como entulho, animais mortos e podas de jardins. Pode ser regular ou programada para onde e quando houver resíduos a serem removidos (...)”.
Os maiores responsáveis pelo descarte ilegal no Brasil são os carroceiros, pois o fretamento mais barato atrai a clientela, mas a distância dos aterros sanitários (normalmente localizados fora do perímetro urbano) dificulta o trabalho dos mesmos, que acabam despejando o entulho em locais inapropriados. Para solucionar este problema, algumas cidades têm criado os chamados “PEV’S” (Pontos de Entrega Voluntária) ou eco pontos, que são pontos apropriados para receptação deste tipo de material, localizados dentro do perímetro urbano.
Garantir qualidade de materiais de baixo custo é o principal objetivo da reciclagem, que no caso da construção civil pode ser perfeitamente desenvolvido, visto que o entulho apresenta como características particulares a predominância de materiais inertes e passíveis de reaproveitamento e esse processo precisam ser observados mais de perto pela EST.
Maia (1993) apud Silveira (2002) mostra duas propostas de aproveitamento dos resíduos da construção civil: uma delas, de reutilização, onde o entulho é processado na própria obra através de moinho de argamassadeira e, a outra, onde o material é britado, na maioria dos casos, em usinas de reciclagem. Em ambos os casos, a separação na fonte mostra-se como uma alternativa viável, acarretando em menores perdas de materiais.
Para o caso do reaproveitamento dos resíduos no próprio canteiro de obras, é válido registrar que a argamassa chega a representar 60% do material mais pesado removido da obra; outro resíduo que responde significativamente é aquele oriundo dos tijolos, ambos podem ser reutilizados com uso de moinho-argamassadeira (MAIA, ET AL, 1993, apud MENEZES, 2002).
Já em uma Central  de Reciclagem com utilização de britadores, antes de tudo, é preciso promover uma análise prévia dos materiais admissíveis e aqueles não passíveis de reaproveitamento.
a) Materiais admissíveis: restos de concreto (armado ou não), restos de produtos cerâmicos – tijolos furados ou maciços, manilhas, ladrilhos, azulejos, lajotas de lajes, etc.; - restos de argamassas sem agregação de materiais listados como proibidos; restos de brita e/ou areia, sem presença significativa de terra ou outros materiais proibidos; peças de cimento amianto.
b) Os componentes proibidos: gesso, material orgânico, papel e papelão, plásticos, isopor, tecidos em geral, borracha, espuma, madeira, líquidos e restos asfálticos.
Os materiais gerados a partir da reciclagem podem ser destinados para contra-pisos, blocos para muros e casas desde que não haja função estrutural, bases e sub-bases de pavimentos de vias, revestimentos primários e argamassas.
O importante quanto é analisar a classificação de cada material favorecendo a sua  caracterização em relação às proteções passivas no caso de riscos de incêndios  , assim como a questão da higiene do trabalho e seus riscos também.

4. O ENTULHO EM CAMPO GRANDE – MS.

O município de Campo Grande está localizado na porção central do território estadual, possui uma área de 8.477 km², 2,4% da área total do Estado de Mato Grosso do Sul com uma população de 755.107 habitantes (IBGE 2009).
A estrutura da cidade, historicamente caracterizada por sua criação na confluência dos córregos Prosa e Segredo, com bases econômicas firmadas na agricultura e pecuária, hoje apresenta importantes transformações, abrigando universidades, hospitais, indústrias e sedes empresariais. Por se tratar da capital do estado, Campo Grande não se difere dos demais centros urbanos em termos de crescimento populacional e aumento da demanda em termos de infraestrutura e problemas decorrentes da aceleração deste crescimento.
A indústria da construção civil em Campo Grande tem mostrado um expressivo crescimento nos últimos anos, visível a todos que circulam pelas ruas da capital, com obras espalhadas em vários pontos da cidade. Este crescimento acarreta também em um expressivo aumento na geração de RCD que, com a implantação da central de reciclagem de resíduos sólidos na construção civil, torna-se obrigatória uma APR para essa nova indústria . A EST deve estar incorporada ao processo de uma central desse tipo desde o inicio de seu planejamento, e deve propor medidas preventivas e de gestão a fim de garantir a segurança dos trabalhadores e a qualidade dos bens produtivos da mesma.


5.  A CENTRAL DE RECICLAGEM

No processo de implantação de uma usina para reciclagem de RCD, aspectos como emissão de poeira, segurança e proteção dos operários, nível de ruídos produzidos e impactos no meio ambiente são questões fundamentais. O trabalho será apoiado  principalmente  nas normas regulamentadoras NR-12, NR-15, NR-16 e NR-18 . Procedimentos como aspersão de água como forma de controlar a poeira, o distanciamento da fonte geradora de ruído, a plantação de arbustos e vegetação, os abrigos em cabines e o isolamento do conjunto britador são adotados por algumas centrais com bons resultados no que se refere aos aspectos da EST.
A definição do local para implantação da Central de Reciclagem foi de grande importância para o bom funcionamento do mesmo, devendo levar-se em conta, principalmente, fatores como a regulamentação do uso do solo no município, a localização das regiões com maior concentração de geradores de grandes volumes de resíduos de construção e demolição e a existência de eixos viários para facilitar o deslocamento dos veículos de carga de maior porte (PINTO; GONZÁLES, 2005 apud CUNHA, 2007).
Para dimensionamento do projeto, LIMA e CHENA, 2000, defendem a criação de um Programa de Reciclagem de entulhos composto por: (1) Unidades de Recebimento de Pequenos Volumes para armazenagem e encaminhamento às (2) Estações de Reciclagem, conforme especificados a seguir:
(1). Locais também chamados de Pontos de Entrega Voluntária (Pivôs) – em geral o limite máximo estabelecido das cargas individuais de resíduos que possam ser recebidos gratuitamente na unidade de recebimento municipal, que atende à rede de pequenos volumes, é de 1 m³. Nessas unidades deve ser proibido o descarte de resíduos orgânicos domiciliares, de resíduos industriais e de resíduos dos serviços de saúde. O espaço deve ser composto por:
Área mínima de 300m² (com água e energia)
Instalações simplificadas (guarita e WC)
Caçambas de depósitos para descarga do material
(2). As Estações de Reciclagem, ou Central de Reciclagem, devem estar implantadas o mais próximo possível dos locais de maior geração de resíduos e fora do perímetro urbano; suas instalações devem contar com:
Área mínima de 6.000m²
Edificação de apoio administrativo
Guarita com aspersor para contenção de partículas
Portão e cerca mento da área com cinturão verde para abafamento dos ruídos e contenção das partículas geradas pela trituração
Pátio para descarga do material a ser reciclado
Área de estocagem do material processado
Conjunto Britador/ moinho de impacto

No desenvolvimento da proposta, a intenção  é o gerenciamento de riscos através da  metodologia de APR , já mencionado anteriormente, em cada uma das  fases  essenciais no funcionamento da empresa e nas atividades a serem realizadas : descrição do objeto de forma a definir as etapas , seleção da etapa, seleção do evento , identificação das possíveis causas , identificação das consequências ,priorização  de ações,medidas de controle de risco,responsáveis pelas ações. (OLIVEIRA, 2011)
Vale ressaltar que a central  é ambientalmente correta pois foram  empregadas as diretrizes apresentadas a seguir:
Aproveitamento máximo dos níveis do terreno, buscando o mínimo possível de movimentações de terras para sua implantação;
Estudo da insolação e ventos dominantes para melhor implantação no terreno, utilizando ventilação e iluminação natural, por meio de shed’s;
O ganho de calor pelo telhado controlado com beirais largos (que também protegem a edificação das chuvas torrenciais de verão), altura generosa e implantação de teto jardim, que além de contribuir para a diminuição da temperatura interna também faz a captação da água da chuva e partículas de poeira;
Tratamento e reaproveitamento das águas servidas através de tubos para escoamento das águas pluviais, direcionadas para cisternas;
Utilização de sistema estrutural com lajes, vigas e colunas em concreto pré-moldado, visando a não geração de resíduos no canteiro de obras, menos desperdício de materiais, maior controle do cronograma financeiro e organização da obra.
Emprego de blocos de tijolos oriundos de reciclagem para fechamentos;
Favorecimento da ventilação cruzada por meio de pátios internos;
Janelas de vidro com tratamento solar permitem a entrada de luz natural, reduzindo o uso da energia elétrica, são protegidas por meio de brises metálicos horizontais e verticais, instalados ao longo de todo o perímetro;
Uso de piso permeável no estacionamento e na área de manobra dos caminhões;

A solução apresenta apenas um pavimento, dividido em blocos assimétricos atendem às requisições de fluxo e usos diferenciados, interligados por pátios internos. Na composição das fachadas o uso de formas puras, volumes equilibrados e tons claros dão harmonia e unidade ao conjunto, contrapondo-se apenas ao elemento escultórico frontal que marca a fachada principal do edifício, facilitando atividades laborais ,deslocamentos e fluxos operacionais , sob a ótica da  RDCn°55/2002 . Verifica-se que os ambientes laborais citados e sua materialidade, facilitam a proteção coletiva mas não eliminam o uso de EPIs, devido à natureza de algumas atividades , sua execução e os tipos de equipamentos usados.
PLANTA DA CENTRAL DE RECICLAGEM
Galpão de Produção
Fluxo : Descarga do entulho
                       


                  Triagem



                  Descarte                                   Produção ( ver detalhe )
Alimentador Vibratório > Conjunto Britador ( moinho de impacto e britador de mandíbula) > Peneira> Misturador > Extrusora                        Secagem





6-METODOLOGIA
Este tópico trata de toda a sistemática da conceituação teórica e do processo metodológico empregado na realização da pesquisa e do estudo .O autor Robert K. Yin (2005) , em seu livro Estudo de caso – Planejamento e Métodos apresenta as diversas estratégias envolvidas no desenvolvimento de uma pesquisa , além das bases metodológicas que podem ser utilizadas em um estudo de caso.Os condicionantes de validade e confiabilidade da pesquisa foram trabalhados de maneira a obter-se uma apresentação justa e rigorosa de dados . No estudo de caso as questões mais usadas são what? / how (o que? / como), facilitando de forma incisiva as questões básicas de uma APR .
Para a caracterização do estudo de caso, foi necessário determinar os fatores relevantes da pesquisa. Os exemplos visualizados por Yin permitiram visualizar as várias possibilidades da montagem da estratégia em relação à lógica do planejamento, às técnicas de coleta de dados e as abordagens específicas da análise de dados. A situação a ser investigada não dispunha de vasto  referencial bibliográfico específico nessa área da EST. Para facilitar a investigação , adotou-se a convergência do formato  de triângulo. Assim, seria mais fácil visualizar o desenvolvimento prévio da proposição, quando da condução da coleta e análise dos dados. A figura apresenta uma customização da estruturação teórica utilizada por Yin (2005), na qual as interações estão baseadas nas pertinências de aceitação e avanço no processo de coleta de dados.

Configuração da estruturação teórica do estudo de caso
               Fase da Análise
                                                                                   b- Teoria concorrente ( os diferentes
Teoria ( Análise de risco )
                                                                                   conceitos )


d- implicação da  teoria concorrente (foco utilizado)

c-implicação da aplicação




O confronto dos conceitos possíveis de serem utilizados configura a estruturação teórica da análise a fim de escolher a ferramenta mais adequada. Na 1ª fase tem-se os conflitos representados pelas quatro caixas, na 2ª fase se tem os conflitos entre os focos específicos, na 3ª fase as constatações e necessidades de adequação aos objetivos e na 4ª fase, a tomada de decisão.


4ªfase-decisão pela ferramenta APR
3ªfase-aplicação das ferramentas
2ªfase –identificação das ferramentas





A ordenação das etapas operacionais  de aplicação da APR para a obtenção  dos dados  seguiu a estrutura conforme a figura abaixo:
1)Definição da ferramenta.
1.1)Seleciona os objetos
1.2)Protocolo de coleta de dados
2)Analise por focos específicos e característicos de uma APR.
2.1)Escreve um relatório técnico .
2.2)Desenvolve implicações positivas e negativas
3) Emite conclusões

Observa-se que esse  processo é de natureza cíclica e por isso altamente aplicável como padrão definidor de um futuro plano diretor em EST para a central de reciclagem de  resíduos sólidos da construção civil . Cabe ao Engenheiro de Segurança do Trabalho, definir o plano de gestão de riscos da empresa, as normas de atuação laboral da central de reciclagem conforme previsto nas normas regulamentadoras NR-10,NR-12, NR-15, NR-16 e NR-18.
FERRAMENTA APP PARA O USO DE FLUXO EM EDIFICAÇÕES
O gerenciamento de risco faz parte do sistema de gestão de segurança em muitas empresas. Ele se habilita de ferramentas e métodos de análise de risco para poder entender os processos e detectar os riscos. (RUBIA 2010). A quantificação do risco é uma atividade complexa, cujo custo de desenvolvimento está associado ao tipo de abordagem empreendida. Portanto antes de escolher uma ferramenta de análise de risco deve-se conhecê-la bem, a fim de identificar a que melhor se adapta às necessidades do processo. Entre as ferramentas mais utilizadas para a análise de risco em sistemas de produção industrial destacam-se: a Análise Preliminar de Perigo ou Risco (APP ou APR), What/If ,FMEA, AAF e HAZOP . A escolha da APR como referência, para aplicação em uso de fluxos em edificações, deu-se por se tratar de uma ferramenta de fácil aplicação e com características adequadas ao processo.  Os requisitos analisados na APR em estudo propõe a análise das condições de exposição / interface dos trabalhadores com os bens de produção apoiada em norteadores técnicos e legais, dados probabilísticos e análises sistêmicas. Esses aspectos constituintes de um sistema de análise permite aos seus dirigentes um maior aprofundamento das variáveis envolvidas no sistema de fluxo , reduzindo assim ,a margem de universo de incertezas. Segundo a norma norte-americana MIL-STD-1 a avaliação das consequências de riscos envolvidos em uma APP são categorizados da seguinte forma:
GRAU TIPO CONSEQUÊNCIA
I DESPREZÍVEL
II MARGINAL
III CRÍTICA
IV CATASTRÓFICA


Outras colunas podem ser consideradas pelo EST , conforme necessidades :
RISCO CAUSA CONSEQUÊNCIAS CATEGORIA PROVIDÊNCIAS
-choque -instalações precárias -equipamento danificado
-lesão ou morte IV -fazer aterramento
-proteger as instalações e os cabos
-usar EPC
-manutenção
-Treinar operadores
-ruído -falta de manutenção
-isolamento inadequado -surdez temporária ou permanente III -usar EPC
-manutenção
-diminuir o tempo de exposição
-troca de equipamento
-estilhaços de sólidos -isolamento inadequado
-falta de equipamentos de proteção -corte/amputação IV -usar EPC
-Treinar operadores
-Contato com o ponto de operação -falta de proteção no ponto de operação -corte/amputação IV -usar EPC
-treinar operadores
-Postura inadequada -manuseio inadequado
-esforço físico -dores musculares II -adequar equipamentos
-treinar operadores

O processo de atividade laboral na central de reciclagem em resíduos sólidos da construção civil  e seu fluxo produtivo, envolvem cinco bens de produção e operação com os seguintes riscos principais:
Alimentador vibratório – riscos de lesão, poeira e ruído.
Conjunto vibrador – riscos no transporte, cortes no corpo, poeira e ruído.
Peneira vibratória – riscos à integridade dos olhos, ruídos, poeira e partículas.
Misturador – riscos de manuseio, transporte, lesões, prensagem nas mãos, poeira e partículas.
Extrusora – riscos de ruído, prensagem nas mãos, químicos, poeira e partículas.
Dessa forma, a estratégia adotada para a identificação dos riscos deve submeter-se a uma avaliação dos mesmos, para a adoção de atitudes para a prevenção e seu controle.
Percebemos através de observações no processo laboral das atividades de produção no galpão da central de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil em Campo Grande, MS, que os riscos se categorizam em quatro grupos: físicos, químicos, ergonômicos e mecânicos (MEC – doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos). Indo além, o ambiente laboral e suas características físicas devem obedecer alguns requisitos de desempenho das edificações (BAGATELLI -2002):
1)Estabilidade estrutural e resistência à cargas estática, dinâmica e cíclica.
2)Resistência ao fogo.
3)Resistência à utilização.
4)Estanque idade
5)Higiene
6)Qualidade do ar
7)Conforto higrotérmico.
8)Conforto visual
9)Conforto Acústico
10)Conforto tátil


7- APLICAÇÃO DA APR E ANÁLISE DE DADOS
A RDC 306/2004 da ANVISA prevê que no caso de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil, a necessidade do uso de EPIs para as fases do sistema produtivo de atividades laborais como um todo. Com foco no setor de produção da empresa, os seguintes equipamentos deverão ser utilizados no manuseio dos trabalhadores:
-capacete com jugular
-óculos ampla visão anti-impacto
-protetor auricular
-bota de borracha
-protetor facial
-máscara filtro 8720
-luva de PVC
-roupa de PVC
Os riscos envolvidos no manuseio dos bens produtivos do setor, conforme citado anteriormente, justificam o uso dos equipamentos de segurança individuais relacionados, também de acordo com a NR-12 (Máquinas e Equipamentos ).
A análise do trabalho e o correto dimensionamento da área conduzem a um projeto que possibilita o desempenho da operação industrial com segurança (GOMES e ÁVILA, 2008).  De acordo com a CLT, em seu título II, estabelecem uma série de determinações a serem obedecidas em relação ao dimensionamento dos espaços laborais, pois a sua funcionalidade deve atender ao fluxo de trabalho constante, atuando de certa forma, como uma medida de prevenção coletiva necessária para  um funcionamento adequado e seguro. A área total de Superfície Estática do galpão de produção é de 604 m², a Superfície de Gravitação é de 2416 m² e a Superfície de Circulação com 250 m². Cada maquinário será operado por dois trabalhadores, totalizando dez trabalhadores especificamente para a produção do material reciclado, e mais dois para transporte. O método Immer foi a base de elaboração do leiaute, pois as máquinas deveriam  estar distribuídas para que a produção seja o mais eficiente possível , percorrendo a menor distância e no menor tempo.(FRANCIS ET AL.,1974) A operação das máquinas deverá ser feita por pessoal qualificado , com a utilização já mencionada dos EPI  adequados , não retirar a proteção das máquinas a não ser para limpá-los,não movimentá-las sem antes verificar se existe alguém trabalhando em uma de suas partes , não deixar peças ou ferramentas perto das partes móveis das máquinas , manter o piso livre de obstruções , não utilizar ar comprimido para limpeza de roupas e desligar a chave geral da máquina para qualquer interrupção do serviço ou reparo.Além disso , deve-se atender às Normas Básicas de Segurança para Ferramentas Manuais em todas as etapas do processo de atividades laborais no ambiente do galpão do setor de produção da Central de Reciclagem .

 CONSIDERAÇÕES SOBRE A GUARDA TEMPORÁRIA DE RESÍDUOS NO SETOR DE PRODUÇÃO CENTRAL DE RECICLAGEM.
É o local de guarda temporária dos resíduos de serviços, à espera da coleta pública ou destinação específica. Os abrigos externos devem ter as seguintes especificações:
a) Ser construídos em alvenaria, fechados e dotados de aberturas teladas que impeçam o acesso de vetores e que, ao mesmo tempo, permitam uma boa ventilação.
b) As aberturas de ventilação deverão ser correspondentes a 1/20 da área do piso e não inferior a 0,20 m2. As portas deverão abrir para fora, ser dotadas de fechaduras e mantidas fechadas a chave, só podendo ser abertas para depositar material ou para retirar os recipientes de resíduos nos horários de coleta pública ou outro tipo de destinação final. Na parte inferior da porta deverá existir uma proteção para evitar acesso de vetores.
c) As paredes internas e o piso deverão ser revestidos com material liso, lavável, resistente, impermeável e não corrosível.
d) O piso deverá ser de material antiderrapante, ter caimento adequado e ralo ligado ao sistema de tratamento de esgotos.
e) Junto ao depósito deverá existir um lavatório e torneira com água corrente para os procedimentos de higienização do depósito, dos carrinhos de transporte e demais equipamentos. A higienização deverá ser feita de acordo com a rotina do estabelecimento ou sempre que se fizer necessária, e o efluente resultante da lavação
deverá ser canalizado para o sistema de tratamento de esgotos.
f) É necessário que exista iluminação suficiente tanto na parte interna quanto na parte externa do depósito.
g) As dimensões do depósito deverão ser suficientes para abrigar a produção de resíduos sólidos de dois dias, se a coleta pública for diária, e de três dias se a coleta pública for feita em dias alternados.

 OBSERVAÇÕES SOBRE O USO DO MAQUINÁRIO  DO SETOR DE PRODUÇÃO E SUAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS .

A presença dos riscos nos trabalhos em instalações como o maquinário do setor de produção da usina exige medidas de prevenção capazes de se contrapor ao perigo inerente à energia elétrica. A Norma Regulamentadora NR-10 limita-se a estabelecer alguns princípios gerais de segurança ou complementares às normas técnicas da ABNT, em especial a NBR-5410 e a NBR-14039 para a atividade laboral em estudo. Serão adotadas medidas de controle como desenergização  , seccionamento ,impedimento de reenergização assegurando ao trabalhador o controle do seccionamento. Deve-se utilizar um sistema de travamento do dispositivo do seccionamento para  o quadro ,e garantir o efetivo impedimento de reenergização involuntária ou acidental do equipamento durante a atividade de origem (GOMES e ÁVILA,2010). A parte de comunicação visual é importante medida preventiva com a instalação da sinalização de impedimento da reenergização, destinada à advertência e à identificação da razão da desenergização e informações do responsável. O aterramento funcional de proteção temporário (AFPT) é de vital importância para evitar acidentes gerados pela energização acidental da rede, propiciando rápida atuação do sistema automático de seccionamento, além de proteger os trabalhadores contra descargas atmosféricas. Todo o circuito deve dispor de condutor de proteção, observado o disposto no 6.4.3.1.5 da NBR-5410/2004, donde um condutor de proteção pode ser comum a dois ou mais circuitos, desde que esteja instalado no mesmo conduto que os respectivos condutores de fase e sua seção estejam dimensionados para a mais severa corrente de falta presumida e o mais longo tempo de atuação do dispositivo de seccionamento automático verificado nesses circuitos. Inclusive o próprio leiaute do ambiente laboral já foi elaborado dimensionando o maquinário e seus circuitos elétricos, prevendo a inserção de barreiras e invólucros, para impedir qualquer contato de trabalhadores com partes energizadas das instalações elétricas.

 DADOS DA APR PARA O SETOR DE PRODUÇÃO DA USINA


 



 CONSIDERAÇÕES SOBRE O TRANSPORTE DA MATÉRIA PRIMA AO SETOR DE PRODUÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS.
Algumas observações também devem ser feitas na questão do transporte do material : ao ingressar no aterro, o veículo de coleta vai diretamente para a balança rodoviária, onde é pesado e onde são anotadas todas as informações a respeito da sua carga. Caso não haja balança, o veículo deve ir até a guarita de entrada, onde o encarregado fará as anotações que o identifiquem e à sua carga de resíduos, incluindo a estimativa do peso (ou volume) de resíduos que está entrando. Em seguida, o veículo se dirige à área operacional para descarregar o entulho.
Os trabalhadores já devem estar corretamente equipados para a realização da tarefa, obedecendo às normas e as medidas preventivas já comentadas no presente texto. A NBR principal para transporte de resíduos é a NBR- 13221, e especificamente a NBR- 10004 trata da questão e normatização dos transportes de resíduos sólidos, inclusive com a classificação dos diversos dejetos encontrados nos entulhos da indústria da construção civil como um todo.

8-CONCLUSÕES
Para garantir o efetivo funcionamento do processo laboral de reciclagem de entulho da Construção Civil, a análise proposta deve ser o início de uma série de outras medidas da EST em relação a uma gestão correta e segura das atividades praticadas na produção industrial da Central de Reciclagem. A implantação de um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), balizado também pela obrigatoriedade do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), conforme disposto na CLT e uma obrigatoriedade de reciclagem e treinamento constante dos trabalhadores, buscando sua maior eficiência produtiva e garantindo essencialmente sua saúde. A determinação da confiabilidade no sistema de gestão é outro ponto de destaque da APR. Pode-se considerar que um  melhor desempenho pode ser obtido com a utilização de equipes multidisciplinares , dessa forma , os desvios , conflitos e falhas ,podem ser analisados e identificados a cada etapa dentro de suas especificidades , e assim atingir um nível de segurança confiável . Para o emprego da APR o analista deve ter um conhecimento prévio (normas, legislações, reconhecimento das diferenças envolvidas nos conceitos envolvidos em segurança), e receber treinamento apropriado. Para concluir esse estudo, pode-se dizer que a APR é uma ótima ferramenta de análise de risco, fundamental para o campo da Engenharia de Segurança do Trabalho. Nesse sentido, o trabalho se apresenta como um estudo inicial na área da atuação da EST em Centros de Reciclagem de Resíduos Sólidos da Construção Civil m especificamente no estado de Mato Grosso do Sul, e poderá servir de referência para outros estudos posteriores, sejam na intenção de melhorá-lo ou simplesmente como base de um modelo de aplicação para indústrias dessa tipologia.































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